Pílula Penal

Blog do Henrique Gonçalves Sanches

Meu familiar foi preso em flagrante: o que fazer nas primeiras 24 horas?

Se você está pesquisando no Google “meu familiar foi preso, o que fazer?”, é porque está vivendo um momento de extrema urgência.

A prisão em flagrante é uma das situações mais angustiantes para qualquer família. No entanto, as primeiras 24 horas após a prisão são juridicamente decisivas e podem influenciar diretamente se a pessoa responderá ao processo em liberdade ou permanecerá presa.

Entender o que acontece após a prisão em flagrante e quais medidas podem ser adotadas imediatamente é fundamental.

 

O que é prisão em flagrante?

A prisão em flagrante ocorre quando alguém:

  • Está cometendo o crime;
  • Acaba de cometê-lo;
  • É perseguido logo após;
  • É encontrado com indícios imediatos de autoria.

Após a detenção, a autoridade policial lavra o auto de prisão em flagrante (APF), documento que formaliza a prisão.

É importante compreender:

a prisão em flagrante não é condenação.

Ela é uma medida inicial que precisa ser submetida ao controle judicial em até 24 horas.

O que acontece nas primeiras 24 horas após a prisão em flagrante?

Depois da lavratura do auto de prisão em flagrante, o preso deve ser apresentado ao juiz na chamada audiência de custódia.

Nessa audiência, o magistrado decide se:

  • Relaxa a prisão por ilegalidade;
  • Concede liberdade provisória;
  • Aplica medidas cautelares diversas da prisão (como tornozeleira eletrônica);
  • Converte o flagrante em prisão preventiva.

Esse momento é crucial.

A ausência de atuação técnica adequada pode resultar na conversão automática da prisão em flagrante em prisão preventiva.

A prisão em flagrante pode ser ilegal?

Sim.

O juiz deve analisar se:

  • Houve abuso na abordagem policial;
  • O flagrante foi preparado ou forjado;
  • Não havia situação real de flagrância;
  • Houve violação de domicílio sem autorização judicial;
  • Houve irregularidades na lavratura do auto.

Se constatada ilegalidade, o juiz pode determinar o relaxamento da prisão.

É possível conseguir liberdade provisória?

Sim, e isso ocorre com frequência.

A prisão preventiva só pode ser decretada quando presentes requisitos concretos como:

  • Risco à ordem pública;
  • Risco de fuga;
  • Risco de interferência na instrução criminal;
  • Reiteração criminosa.

A gravidade abstrata do crime não autoriza, por si só, a manutenção da prisão.

Elementos como:

  • Residência fixa;
  • Trabalho lícito;
  • Ausência de antecedentes relevantes;
  • Contexto específico do fato;

Podem influenciar a decisão pela concessão da liberdade provisória.

Quando cabe Habeas Corpus após prisão em flagrante?

Caso a prisão seja convertida em preventiva sem fundamentação adequada, pode ser impetrado habeas corpus para discutir a ilegalidade da custódia.

O habeas corpus é instrumento constitucional destinado à proteção da liberdade de locomoção.

Em situações urgentes, a medida pode ser decisiva.

O que a família deve fazer imediatamente?

Se um familiar foi preso em flagrante, recomenda-se:

  • Buscar orientação jurídica especializada imediatamente;
  • Reunir comprovantes de residência;
  • Reunir comprovantes de vínculo profissional;
  • Organizar documentos pessoais;
  • Evitar exposição pública precipitada;
  • Não fornecer versões desencontradas sobre os fatos.

A condução técnica nas primeiras horas é determinante.

Todo flagrante vira prisão preventiva?

Não.

A prisão antes da condenação é excepcional.

O artigo 312 do Código de Processo Penal exige fundamentação concreta para a decretação da prisão preventiva.

Cada caso deve ser analisado individualmente.

E se o crime for grave?

Mesmo em crimes graves, a prisão não é automática.

O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça consolidaram entendimento de que a gravidade abstrata não basta para justificar a prisão preventiva.

É necessária fundamentação concreta.

Perguntas frequentes

Quanto tempo a pessoa pode ficar presa após o flagrante?

O juiz deve analisar a prisão em até 24 horas na audiência de custódia.

A audiência de custódia pode soltar o preso?

Sim. O juiz pode conceder liberdade provisória ou aplicar medidas cautelares.

A prisão em flagrante significa que haverá condenação?

Não. A prisão é apenas uma medida inicial.

Posso conseguir liberdade mesmo em caso de crime grave?

Sim, desde que não estejam presentes os requisitos legais da prisão preventiva.

Conclusão

A prisão em flagrante é um momento de alta tensão, mas também de definição estratégica.

As primeiras 24 horas são decisivas para:

  • Avaliar a legalidade do flagrante;
  • Verificar a necessidade da prisão preventiva;
  • Pleitear liberdade provisória;
  • Impugnar irregularidades;
  • Construir a linha inicial da defesa.

Agir com orientação técnica desde o início é uma medida de estratégia jurídica e proteção de direitos fundamentais.

A atuação na fase inicial da prisão em flagrante exige análise jurídica imediata, individualizada e estrategicamente estruturada.

Medidas adotadas nas primeiras horas podem influenciar diretamente a definição da liberdade e o encaminhamento do caso.

Em situações envolvendo prisão em flagrante, audiência de custódia, liberdade provisória ou impugnação de prisão preventiva, a avaliação técnica especializada é fundamental para a construção de uma defesa sólida desde o início.

Atendimento sigiloso e atuação em todo o território nacional.

 

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